As Terras Raras representam um dos recursos mais estratégicos do século XXI, sendo fundamentais para a transição energética global e indústrias de alta tecnologia. Em Angola, a província do Huambo posiciona-se no centro deste mercado com o Projeto Longonjo, um dos depósitos minerais mais proeminentes em desenvolvimento fora da China.
O que são Terras Raras de Forma Geral?
Elementos de Terras Raras (ETR) constituem um grupo de 17 elementos químicos da tabela periódica que costumam ocorrer juntos na natureza. Embora não sejam estritamente “raros” em termos de volume na crosta terrestre, ganharam este nome devido à extrema dificuldade e complexidade técnica necessárias para a sua separação e refinação purificada.
- Principais Elementos: Incluem o neodímio (Nd), praseodímio (Pr), lantânio, cério e samário.
- Aplicações Tecnológicas: São essenciais para fabricar ímanes permanentes ultrafortes usados em motores de carros elétricos, turbinas eólicas, telemóveis, computadores e sistemas de defesa aeroespacial.
- Contexto Global: A China domina cerca de 60% a 70% da produção mundial e perto de 85% da refinação, tornando a diversificação destas fontes uma prioridade geopolítica para o Ocidente.
Terras Raras na Província do Huambo: O Projeto Longonjo
O Huambo abriga o depósito de Longonjo (localizado no morro de Chimbilundo, município de Longonjo), gerido pela mineradora Ozango Minerais, uma subsidiária da britânica Pensana Plc em parceria com o Fundo Soberano de Angola.
- Potencial Geológico: Estudos recentes indicam que o potencial do depósito pode chegar a 1.000 milhões de toneladas de terras raras, o que poderá representar cerca de 5% da procura mundial destes minerais.
- Tipo de Minério: A mineralização provém de um diatrema carbonatítico fortemente alterado, facilitando a extração residual de monazita e bastnaesita.
- Apoio Internacional: Devido à relevância geopolítica, o projeto conta com financiamento estratégico da Corporação Financeira de Desenvolvimento Internacional dos EUA (DFC) e parcerias com o Japão e a Europa, integrado na dinâmica logística do Corredor do Lobito.
- Horizonte de Produção: Com obras de infraestrutura em andamento, a previsão para o arranque da produção comercial está projetada para 2027.
Impacto na Economia do Huambo e de Angola
A exploração das terras raras visa transformar a matriz económica da região, tradicionalmente dependente da agricultura e do comércio.
- Diversificação Económica: Reduz a dependência histórica de Angola em relação aos diamantes e ao petróleo, posicionando o país no mercado global de minerais críticos.
- Arrecadação Fiscal: Espera-se um aumento expressivo nas receitas fiscais e nos impostos locais, que poderão ser reinvestidos em infraestruturas públicas na província.
- Logística e Comércio: O projeto impulsiona a utilização do Caminho de Ferro de Benguela (CFB), gerando tráfego comercial contínuo entre o Huambo e o Porto do Lobito para a exportação.
- O Desafio da Cadeia de Valor: Críticos apontam que, inicialmente, o projeto exportará concentrados de óxidos. Como a refinação avançada (80% do valor final) será feita no exterior, há o desafio de criar indústrias locais que processem os materiais dentro de Angola para garantir a soberania económica plena.
Impacto na Sociedade e nas Comunidades Locais
A introdução de um empreendimento deste ecossistema altera profundamente a dinâmica comunitária do Planalto Central.
- Desenvolvimento de Infraestruturas: O investimento obrigou à melhoria das redes elétricas, de abastecimento de água e de vias rodoviárias ao redor do município de Longonjo.
- Fixação de Capital Humano: Atrai investidores, comitivas diplomáticas e técnicos especializados para uma província historicamente afetada pelo êxodo em direção a Luanda.
- Projetos de Responsabilidade Social: A concessionária está vinculada a programas comunitários, que incluem a construção de escolas, postos de saúde e incentivo à agricultura sustentável nas zonas adjacentes à mina.
Impacto Direto nos Cidadãos do Huambo
Para o cidadão comum e para as famílias locais, os impactos são tangíveis no dia a dia:
- Criação de Empregos: O projeto prevê a garantia de mais de 1.000 postos de trabalho diretos entre as fases de construção e exploração mineira.
- Oportunidades para a Juventude: Beneficia diretamente os jovens formados nos institutos técnicos e politécnicos locais do Huambo, gerando postos de trabalho qualificados em áreas de engenharia, operação de máquinas, geologia e administração.
- Estímulo ao Setor de Serviços: Pequenos negócios locais como restauração, hotelaria, transportes e comércio de bens, ganham dinamismo devido ao aumento do poder de compra e da circulação de trabalhadores na região.